Suzanne falava depressa e com uma voz hesitante. Olhava de lado, evitava encarar Marcelo. Uma grande lâmina escorria por sua face em forma de uma densa lágrima e um embrulho de palavras não entendidas e aquele papel jornal que lhe cortava o estômago. Era mais do que evidente que Suzanne havia preparado uma armadilha, submetida às instruções dos inimigos de Marcelo, como se quisesse convencê-lo de algo. Era o que Marcelo pensava. Em sua garganta, uma praga espinhosa crescia, um besouro escalava seus pulmões com patas ásperas. Estava equivocado. Ninguém havia influenciado Suzanne, a esta altura ninguém mais se importava. Era tarde demais. Suzanne apenas sentia um desejo vago e confuso de tentar ajudá-lo de alguma forma. Tudo era incômodo e ruído para ambos. Não havia mel em suas palavras, não havia bálsamo em seus olhos. A intranqüilidade arrepiava todos os pelos do corpo e manchava seus rostos de vermelho, improváveis cicatrizes de insônia. Sim, ela continuava a falar depressa e não lhe fitava os olhos. Porém Suzanne não portava armadilha alguma, agia assim apenas por permanecer de mãos vazias. Uma mulher trêmula, vestida de branco com grandes correntes nos pés e miríades de vãs esperanças nos olhos movimentando-se desordenadas como formigas. Quando ela o abandonou, Marcelo só pensava em uma coisa: provar que querer é um sentimento superior a todos os outros. E repetia para si mesmo essa prerrogativa, sem pressa, pausadamente, como se visasse um alvo que não queria errar. Suzanne adiantava-se em não discordar, prenha de medo. Bem no fundo acreditava, mais no fundo duvidava, mas não se detinha. Não estavam dispostos a esperar mais pela revelação do que viria. Aquilo que um dia foi discórdia era apenas um pretexto, uma alegoria, uma parábola de um amor inacabado. E assim continuaram a caminhar levando todos os receios e esperanças até que o destino os alcançasse.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
diz passar ou ir
“Tinha chegado sem sugestão. Era uma osmose hepática de um não sei o quê. Até Fiodóro, que estava em meu colo, sentiu. Perguntei a ele e ele me disse um também não sei o quê. Não entendi. Vestígio, pedaço e tudo se contemplava. Um governador mantinha seu segredo. Estava ele ali, com uma mancha tipográfica em sua boca. Tudo passara. Um nocaute do tipo eclesiástico. Havia me sentido mais viva desde então. Preferia não querer. Compunha palavras seguindo a pulsação e meu sangue seguia dizendo estou indo... estou indo... estou... indo... estou. Deixo-te ir agora. Você, que outrora me fez arder, sob lençóis encharcados e uma luz opaca, a única testemunha daquele instante. Em vários momentos, quis eu ver a sua cor, de pertinho. Não sei se você se importa, mas eu tenho dó de ver a tua vida. Seguindo preso, sempre seguindo, indo. Mas olha como te invejo: copio sua essência em páginas avulsas, sob desenhos, traços, palavras que ali aprisiono e as permito viver. Quer queiram, quer não. É assim. Uns aprisionando os outros. E cada um, um a um, copia seu lema, clamando em suas línguas, estou indo, estou indo. Viva seu gerúndio, que se faz presente. E o que me diz, aos que tem seguido, ou ficado, ou partido. Não precisa. Não diga. Te deixo, como disse, ir. Meu corpo se aquieta. Agora. Meu cérebro, fundido, não acompanha mais teu fluxo. Acaricio minhas mãos, apaziguo meu olhar. E vejo, curvas após traços, que são o que vê, a, b, vírgula c. Todas contidas, mantém um segredo, que até Deus duvida.”
- palavras miúdas de uma outra mariana.
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
contra regra
Já a palavra artista deveria ter um novo poder conotativo, não estigmatizado ou livre para interpretação. Talvez a palavra louco também. Mas é claro, é apenas minha opinião pessoal, e eu vivo baseada em uma vida microuniversal, com um passado de traumas e conselhos superficiais de pessoas que se julgam profetas da verdade.
As sobras de um ser
Domingo, 28 de Junho de 2009
o que não mata, o fortalece.
decisões perdidas
O tempo tem avançado a grandes passos. O acontecimento, fato ou mesmo instante, esquecido numa noite qualquer, cintila a partir do dia seguinte com o odor do novo e, portanto, não é mais música ambiente no relato do narrador, mas sim uma surpreendente aventura que se desenrola no segundo plano da banalidade, demasiado familiar, da vida particular. Ele corria atrás da perfeição. As cartas perdidas eram suas únicas referências. Ela perdia suas antigas partilhas. Ninguém aspira trivialidades. Ele estava apaixonado por seu próprio destino e sua caminhada para a ruína parecia-lhe nobre e bela. Ela precisava de sexo. Sua vida havia se transformado em seu próprio destino. Ele se sentia responsável por seu destino, mas seu destino não se sentia responsável por ele. Ela desacelerava desempenhos. Ninguém espera por ajuda. Ele insistia em permanecer nas primeiras páginas do romance e não se deixava apagar. Ele era daqueles que muito cedo perseguiam suas próprias decisões, enquanto ela foi sempre fiel ao jardim onde cantavam os rouxinóis. Ela se sentia feliz. Ele se amava em silêncio. Ninguém é órfão em seus próprios desejos. Eles são a minha nova poética. Ninguém vive daquilo que não se pode prever.
Sábado, 27 de Junho de 2009
Notas de Fiodóro #1
Olhei para baixo e senti vertigem. Perdi o equilíbrio e segurei-me numa viga mal consolidada, que se soltou. À primeira vista, o ferimento parecia sério, mas um pouco depois, quando verifiquei que era apenas uma fratura banal no antebraço, pensei com satisfação que iria ter algumas semanas de folga e que poderia finalmente pôr em dia os problemas com que não pude ocupar-me até então. Deitei-me ao sol daquela varanda cheia de carros e constatei: é inverno.
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Descascando batatas
Então meus caros amigos, agora que passo melhor, meu fígado não é mais o mesmo e meus olhos já funcionam melhor, eu lhes digo: bebam mais água, fumem menos, não bebam coca-cola e principalmente não usem naftalina porque é cancerígeno. No mais, bom fim de vida à todos.
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
ao passo,parado.
Há um oceano
ondulante de
mariposas sobre
a calçada como
névoa e neblina.
Verso curto de
uma vida abrupta.
Há parte que não
é para ser bela.
Ser bela, ser bela.
Ser bela. Reverbera.
Mariposas morrem
ao passo já morto,
que pára. Reverbera.
Sábado, 13 de Junho de 2009
Carta para Marcos Beccari
Há tempos me enviaste a versão digital de um livro tcheco e enalteceste-o com única ordem entusiasta: Leia. Apesar de nobre opinião e da reputação que precede o romance, confesso que descarreguei o arquivo para esquecê-lo entre tantos na pasta virtual Ler Urgente e só tive acesso à tal literatura quando surpreendido por um breve episódio do acaso. Portanto hoje, quando Tereza descobriu que estava com Tomas na última parada, mas que estavam juntos, senti a necessidade de tornar inteligível de que modo o casal supracitado invadiu meus pensamentos.
Entrei com meu par no café, descemos as escadas, cumprimentamos três bons amigos e nos sentamos próximos deles, num sofá. Voltaste do exílio? Perguntou-me o primeiro. Ainda não, volto no dia quatro de julho. O segundo se levantou, abraçou-me calorosamente e disse: Fico feliz em saber.
A sagacidade das boas vindas me trouxe para casa uma vez mais. E tem sido tantos os lares em que moro de uma só vez, meu amigo. Por vezes encontro a recíproca afeição para noutras conviver com o cúmplice silêncio dos desconhecidos.
Aproximou-se de mim um estranho. Recebeste uma mensagem, anunciou com voz grave, porém suave, e sorriu. Vi nas pontas dos dedos do braço estendido um guardanapo. Agradeci balbuciando e imaginei ter despertado o interesse de outro homem, enquanto, como depois fui saber, a formosa dama que comigo estava corria os olhos à procura daquela que me queria. Enganamo-nos por doce preconceito. Ao meu lado, em pé, uma balzaquiana proferia enleada: Não posso sair daqui sem te dar um abraço. Procurei aprovação no olhar da minha companheira e respondi: claro.
Sentado, eu fitava o bilhete, sem ler. Acordou-me do transe o imperativo do terceiro amigo: Leia!
Não sou daqui, o que está ao meu redor não me pertence. É exatamente assim que me sinto. Isolo-me de tudo e de todos e crio meu próprio mundo, onde a minha realidade é o que acredito.
É como se esse país fosse pouco para mim. Quero sair, libertar-me, vivenciar a cultura do lugar de onde vim. Sonho com a Inglaterra, respiro o ar londrino e me sinto bem.
Não sei ao certo que decisão tomar, mas o que eu decidir com certeza será o certo!
Que "insustentável leveza do ser"! Que inóspito!
Não havia assinatura, apenas a data: último dia do mês de maio. Vá atrás dela! Fale com ela! Mas ela já havia partido. A garçonete não a conhecia, nem o rapaz do balcão. Quando retornei ao sofá, minha namorada segurava um exemplar de bolso traduzido para o português por uma Teresa e, naquela mesma noite, Tomas descobriu que foram necessários seis acasos para ser conduzido até Tereza enquanto eu viajava num ônibus de volta para o oeste.
Penso bastante em ti e pergunto: Es muβ sein? Tu respondes: Muβ es sein! Ja, ja, ja! E eu me preocupo. Porém, já não tenho a convicção de Tomas para considerar idiota tua missão, com a qual a minha se confunde.
Forte abraço,
Matheus
P.S Não há como esquecer o pequeno léxico das palavras incompreendidas, as observações tardias de Sabina sobre suas diferenças com Franz. Vestir teus óculos até entender que os cemitérios da minha alma podem não ser os mesmos que na tua habitam.
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Manifesto Reverso
um ser humano que precisou avançar 21 anos no tempo para entender que as notas de uma realidade jamais podem ser levadas como referência.
Evidentemente, escrever não é uma tarefa, pois se trata, antes de qualquer coisa, de uma confissão, pública, da insignificância, própria.
Se há alguma beleza neste ato, está apenas nos olhos de quem cega.
Cega na essência do verbo secar, na cegueira de ser e sentir.
O outro pode ser simplesmente cópia
O outro pode ser simplesmente cópia
Todos nós sentimos
Todas mesmas coisas
Mas interpretamos
de modo igual ou semelhante.
Em sumo,
Quem você são?
Quem você são?
E o tempo assim se perde numa tarde cinza de um dia inerte
como poeira e mofo fingindo ser confete, no ar,
e a hora nem se mexe
enquanto os ponteiros tecem
a desordem cronológica do caos,
que o leitor chama de mundo.
Contar novas verdades todo o tempo? Mentira.
Criar o NOVO! NOVO! o tempo inteiro? Privada.
Daí nasço. Cresço. Ou o mundo encolhe. Brega, é lógico.
Caso contrariada. Giro Madame Ismo. Sobrenome comum de homens comuns.
E passo a atender por ismos,
publico manefastos,
levanto bandeiras negras,
cavermeias,
e brancas, e negras again.
De fato, a visão romântica do artista como pensador e detentor de um posicionamento crítico é uma antiga, e boa, piada, tão velha quanto o nada.
Acima de tudo, sou pó.
Súuspensa no ar, sou pó.
Igual a você, sou pó.
É, estou tentando fazer um filho com você.
Agora.
Mas nenhum filho que tive
chegou ao fim da vida,
viveu até a morte.
Por tê-la
em mente,
tenha que Eu sou nada,
nunca serei nada
e desposso querer nada.
À parte disso, tenho em mim todos os cílios do mundo.
Eu vejo.
E bem.
Embora tenha acabado de me conhecer,
eu te conheço a muito tempo.
“Com@ um biscoito dá sorte!”
CUIDADO
com aqueles que dizem conhecer,
a muito ou pouco tempo,
algo ou alguém.
As palavras repetidas dez mil vezes,
Viram filhos, ou girafas, ou pepinos,
Por isso as pessoas vivem.
Com medo e a culpa, mais ninguém se importa.
Ao invés de criar, clonar.
Ao invés de criar, fingir.
Ao invés de criar, suicidar.
Ao invés de criar, resfriar.
Ao invés de criar, releituras.
Criança, você não fala,
mas imita.
a verdade existe
seus limites são
morte ou sal
vamento.
Eu não moraria contigo mais um tempo,
mas ainda pode se esconder
debaixo da cama e da pasta de fotos.
Casa me queira,
Pense em dormir sem meias
E sonhar que vai .
Escute os sons de um amor que não deu certo,
Que são todos
Ou nenhum.
É preciso estar apaixonado?
Viver não é.
Faça nada da sua vida preferida e atualize todo o nada todo dia.
Altere os seus ouvidos numa frase,
de modo que as pessoas sempre digam
coisas que não fazem
que não pensam
que não vão.
Onde escutar "viajei em uma estrada cheia de lírios",
Entenda "Passei o dia tentando acompanhar lírios,
mas eles sempre iam para o outro lado".
Entre outras coisas.
Uma lista dos melhores momentos da sua vida demora quanto tempo
Para ser construída?
Uma lista dos melhores momentos da sua vida demora quanto tempo
Para ser rabiscada?
Lembre-se que viver o presente não tem nada a ver com flores
nem regadores
da infância ou de ontem.
Não deixe de amar-te
dos vícios com estilo.
Se ternura é blue
as imagens coloridas
as declarações contém defeitos,
tente pensar em pó
no sol
na noite
não escreva nada sem querer
nem vicie-se em vícios evitáveis.
Prefira os lápis e tenha coragem!
nem vicie-se em vícios evitáveis.
Ao contrário do que se imagina,
ventar o novo bebe em doses de fraqueza.
Acima de tudo,
E abaixo do mar da
Eslovênia
entenda que o presente é por essência
entenda que o presente é por essência
uma nova e revolucionária armação
de óculos de lente sépia
da coleção Ronaldo Fraga
a nova, Primavera-
Vocês-Verão.
E o problema sempre foi
E o problema sempre foi
Sou aquela que erra.
Nada de novo:
as grandes coisas para os grandes,
os abismos para os furos,
as branduras para os duros,
e os tremores para os japoneses,
E EM RESUMO,
as pedras raras para os porcos.
Este manifesto é um manifesto.
Se ouviu ou se leu, problema é seu.
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Releitura de Vicente Pessôa e Ramona Repolês do Manifesto Arte Emergencial, de Marcos Beccari.
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Você quem é?
Você é?
Quem?
Você?
é.
Você é.
Quem você é?
Você é quem?
Você é Você.
Você é?
Você?
É você?
Você é quem
Você
É.
É?
Domingo, 24 de Maio de 2009
Um ser humano que precisou avançar 21 anos no tempo para entender
(um ready-made de Vicente Pessoa)
“As notas de uma realidade jamais podem ser levadas como referência.
Evidentemente, escrever não é uma tarefa fácil, pois se trata antes de qualquer coisa de uma confissão pública da própria insignificância. Se há alguma beleza neste ato, está apenas nos olhos de quem escreve na essência do verbo ser, no sentido de sentir-se existente.
O outro pode ser simplesmente uma cópia de outra pessoa como também um “ready-made” do que restou na memória. Todos nós sentimos as mesmas coisas, mas interpretamos de maneiras diferentes, mesmo que expressadas de maneira igual ou semelhante. Em suma, todo eu é igual ao outro, mas todo outro é sempre único e faz de cada eu uma nova percepção.
E o tempo assim se perde numa tarde cinza de um dia inerte como poeira e mofo fingindo ser confete no ar e a hora nem se mexe enquanto os ponteiros tecem a desordem cronológica do caos, que o leitor chama de mundo.
Contar novas verdades todo o tempo? Mentira.
Criar o novo o tempo inteiro? Privada.
Daí nasço. Cresço. Ou o mundo encolhe.
E logo me casam contrariada. E viro Madame Ismo. Sobrenome comum de homens comuns. E passo a atender por “ismos”, publico manifestos, levanto bandeiras negras, depois vermelhas, e brancas, e negras again.
De fato, a visão romântica do artista como pensador e detentor de um posicionamento crítico é uma antiga piada. Tão velha quanto o “novo".
Acima de tudo, sou pó. Suspensa no ar, sou pó. Igual a você, sou pó.
Sim, estou tentando fazer um filho com você. Agora. Só tenha em mente que eu não sou nada, nunca serei nada e não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os filhos do mundo.
Embora você tenha acabado de me conhecer, eu te conheço a muito tempo. Um conselho: tome cuidado com aqueles que dizem conhecer, a muito tempo, algo ou alguém. As palavras, quando repetidas dez mil vezes, tornam-se coisas. Por isso as pessoas oram.
O medo e a culpa sempre estarão te vigiando, mas ninguém se importa com isso mais do que você. Ao invés de criar, recriar. Criança, você só aprende a falar imitando os outros. Daí você aprende que questionar a verdade é fácil, o difícil é articular a mentira. E construir uma mentira cada vez mais complexa ou simples o suficiente para se tornar uma nova verdade.
Eu namoraria contigo mais um tempo, mas você ainda pode se esconder. Caso ainda queira me encontrar, comece registrando de alguma forma fatos sem nenhuma importância, por exemplo "ontem eu dormi sem meias e sonhei que estava voando". Escute músicas de amor, de preferência as de um amor que deu certo. Não é preciso estar apaixonado: apenas cante junto e finja que está. Faça uma lista das suas preferidas e atualize quinzenalmente.
Altere o sentido de algumas frases, de modo que elas acabem parecendo um pouco inusitadas. Um exemplo simples: onde você escreveu "viajei em uma estrada cheia de lírios", escreva "Passei o dia tentando acompanhar os lírios, mas eles sempre iam para o outro lado".
Faça uma lista dos melhores momentos da sua vida. Demore-se bastante em cada um, procurando identificar as sensações que eles despertam. Lembre-se de que viver o presente não tem nada a ver com não regar flores de ontem.
Não deixe a sua arte se viciar em um estilo. Quando achar que a ternura está virando melancolia, que as imagens vão ficando exageradamente coloridas ou que as declarações de amor começam a implicar com os defeitos do outro, tente escrever sobre alguma coisa que nunca antes havia passado pela sua cabeça. Mas também não se vicie em evitar os vícios.
Prefira os lápis e tenha coragem. Ao contrário do que se imagina, inventar o novo exige boa dose de fraquezas.
Acima de tudo, entenda que o presente é por essência apenas uma admiração sem surpresas ou expectativas. O problema sempre foi as possibilidades.
Sou aquela que erra.
Nada de novo: as grandes coisas para os grandes, os abismos para os profundos, as branduras e os tremores para os sutis e, em resumo, as raridades para os raros.
Este manifesto é um manifesto. Se leu, problema é seu.”
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
órfãos
Enfim, nos encontramos em outra vida. Quando nós nascermos gatos.
Sábado, 9 de Maio de 2009
Não sei mais com quem conversar
A vida de até então parece não mais que pura negação
E pela primeira vez
Sinto que não há mais o que negar
É hora de viver
Viver e pronto
Sem porem, mais ou menos
Viver a plenitude que se basta
Ser por ser no máximo do que posso ser
Só por que sou
Não sei mais com quem conversar
Tudo ainda soa tão niilista
Num paralelo ausente de oposto
Pela metade
_Vejo modas jogadas ao céu
decidindo jogos inacabados_
A vida não tem lados, seu valor é a moeda que é
Não há mais o que negar
É hora de viver e pronto
Não se trata de afirmação
Apenas de viver na plenitude que se basta.
